Vou poder voltar ao meu esporte em alto nível?

Atletas de nível competitivo profissionais em amadores estão sempre preocupados não apenas com sua saúde, mas com a recuperação de seu desempenho. Portanto, é normal que estejam apreensivos sobre a retomada das atividades após o tratamento da lesão. No entanto, não é nada fácil prognosticar o tempo de retorno ao esporte de alto nível, nem dar certeza sobre a melhora completa das limitações e das sequelas trazidos por cada lesão.

O tema fica ainda mais espinhoso quando envolve uma cirurgia. A Medicina (e no meu caso mais especificamente, a Ortopedia) tenta evoluir para aumentar cada vez mais seu índice de sucesso nos tratamentos. Segmentamos os pacientes de acordo com características de cada indivíduo (se é mais jovem ou mais velho, se tem outras doenças associadas, quais os objetivos daquele determinado paciente, etc), subdividimos cada lesão dentro da mesma patologia, inventamos novos medicamentos, aprimoramos materiais e técnicas cirúrgicas… Mas a verdade é que não existe tratamento 100% eficaz e seguro. O sábio médico João Guimarães Rosa já escreveu que até mesmo “viver é muito perigoso”.

Se por um lado pacientes motivados e otimistas tem uma taxa geral de sucesso de tratamento melhor que os deprimidos e pessimistas, por outro não se pode prometer milagres e criar falsas espectativas. Saúde não é ciência exata. Não quero deixar o leitor triste, apenas estou dizendo que o futuro, e logo os resultados dos tratamentos, pode ser mais imprevisível que o desejado. E para isso nada melhor que o seguimento, reavaliações seriadas e o trabalho de uma equipe multidisciplinar integrada. Várias cabeças pensam e repensam melhor do que uma. A equipe de saúde e o paciente tem que dançar conforme a música. E apesar de não garantir e nem conseguir 100% de resultados excelentes, podemos dizer que para lesões esportivas o índice de sucesso no tratamento para a maioria das lesões é bem alto.

E cuidado para não levar a sério seu parente ou amigo que diz coisas como “quem opera o ombro (ou o punho, ou o joelho, ou a coluna…) não melhora completamente nunca”. Cada lesão é uma lesão. Cada tratamento é um tratamento. E cada paciente é um paciente.

Por Dr. Lucas Boechat, nosso Ortopedista.