Reabilitação Cardiovascular. Como se dá todo o processo?

Vamos falar sobre Reabilitação Cardiovascular (RCV)! Queremos aqui informar como se dá todo o processo, desde a fase intra-hospitalar até o retorno completo do indivíduo às suas atividades rotineiras.

As principais evidências científicas com relação à RCV dão maior relevância ao treinamento físico, credenciando-o como a principal intervenção no processo de reabilitação. Mas nem sempre foi assim. Décadas atrás, quando a definição de RCV foi estabelecida, os pacientes acometidos por infarto do miocárdio chegavam a ficar até 60 dias em repouso no leito, e, quando recebiam alta hospitalar encontravam-se em situação de grande perda da capacidade funcional, sem condições físicas e psicológicas de retomarem suas atividades de vida diária. Nesse contexto, os programas de RCV foram criados com o propósito de oferecer condições para que esses pacientes pudessem voltar a realizar suas atividades familiares, sociais e de trabalho.

A RCV deve ser considerada como parte essencial do tratamento da doença cardiovascular. A prática do treinamento físico supervisionado deveria ser encorajada, “receitada” e bem aceita, assim como é o uso contínuo de uma medicação. Ela é necessária e tem dose e duração adequadas. O programa de RCV é dividido em quatro fases:

A fase 1 da RCV é realizada com o paciente internado, logo após este ter sido considerado compensado clinicamente. Nesta fase predomina o exercício físico de baixa intensidade, associado à técnicas para o controle do estresse e à programas educativos a respeito dos fatores de risco. O programa na fase 1 tem por objetivo fazer com que o paciente receba alta com o mínimo possível de acometimento de sua funcionalidade, com as melhores condições físicas e psicológicas possíveis, e com informações suficientes em relação a um estilo de vida mais saudável.

A fase 2 inicia-se imediatamente após a alta hospitalar ou alguns dias após um evento cardiovascular ou descompensação clínica. Nessa etapa, o paciente é avaliado por uma equipe multiprofissional, incluindo prioritariamente o cardiologista e o fisioterapeuta, que serão responsáveis pela prescrição e condução do treinamento. Essa fase tem duração prevista de três a seis meses e o programa de exercícios consiste em treino aeróbico, treino de força muscular e treino de flexibilidade, e deve ser individualizado em termos de intensidade, duração, freqüência, modalidade de treinamento e progressão. A fase 2 tem como objetivos principais iniciar a adaptação do paciente à atividade física, continuar contribuindo para o retorno às atividades laborais e de lazer e manter a educação contínua do paciente com relação à modificação do estilo de vida.

A fase 3 é a continuação da 2, porém ela pode ter início em qualquer fase da evolução da doença cardiovascular, não sendo necessariamente uma sequência das outras fases. Um paciente que apresenta baixo risco cardiovascular, por exemplo, pode começar a RCV pela fase 3, desde que bem examinado anteriormente. Essa etapa tem como objetivo aprimorar o condicionamento físico do individuo, com consequente melhora do estado geral e da qualidade de vida. Com duração prevista de seis a vinte e quatro meses, as sessões ainda devem ser supervisionadas pela equipe, a intensidade do treinamento provavelmente será maior do que na fase anterior e o paciente deve ser amplamente preparado para progredir para a última fase do programa de RCV.

A quarta e última fase é aquela em que as atividades não são necessariamente supervisionadas, podendo ser realizadas em ambiente domiciliar ou externo. É um programa de longo prazo, mas sem limite de duração definido. Nessa fase os principais objetivos são a manutenção e a melhora da aptidão física. É interessante que as preferências do paciente em relação ao tipo de atividade sejam respeitadas, para que o paciente sinta-se motivado a ter compromisso com a prática regular da atividade física e com hábitos de vida saudáveis, que deverão ser levados por toda a vida como parte da rotina do indivíduo. As atividades, com a prescrição da carga de exercícios adequada às necessidades individuais, são propostas pela equipe da reabilitação, que deve também manter contato periódico com o paciente, a fim de orientar e suprir as necessidades que apareçam ao longo do caminho.

Por fim, é pertinente falar que os hábitos de vida, o histórico social e familiar influenciam direta e/ou indiretamente o processo de adoecimento e recuperação, portanto, é importante que o paciente em fase de RCV seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar (composta por médico, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo…) e que essa equipe seja capaz de sistematizar o conhecimento das diferentes áreas com um objetivo único: o bem-estar do paciente!

Por nossas Fisioterapeutas, Ana Clara Lages e Monize Cristine Pires.