Perguntas Frequentes

Medicina do Esporte e Cardiologia

  • Qual a importância de praticar exercícios físicos?

    Há muitos anos, literalmente há milênios, médicos recomendam exercícios físicos. Mas, objetivamente, faz 60 anos que a medicina e outras áreas relacionadas à saúde vêm demonstrando cientificamente os benefícios de uma vida ativa. Atualmente, o papel do exercício físico tanto na prevenção de doenças, assim como no seu tratamento, tem sido amplamente demonstrado através de estudos nessa área.

    O aumento na renda, a industrialização e globalização têm ocasionado mudanças econômicas e sociais favoráveis no Brasil. Entretanto, observa-se também um aumento no consumo de alimentos não saudáveis e da inatividade física. A prevalência de homens com sobrepeso no Brasil aumentou de 18,6% em 1974 para 50,1% em 2008 e de uma forma geral, em todo o mundo, o sedentarismo está presente em mais de 30% da população mundial, atingindo valores superiores a 50% em determinados países. A inatividade física aumenta com a idade e é mais frequente em mulheres do que nos homens. Embora estejamos vivendo a expectativa em sediar as próximas Olimpíadas em 2016, devemos deixar claro que o esporte competitivo deve servir de incentivo para abandonarmos o sedentarismo e iniciarmos uma atividade física programada, mas não deve, a rigor, ser utilizado como modelo a ser seguido por todos. Esportes realizados nesse nível demandam uma equipe multiprofissional, muito tempo de treino e de recuperação, alimentação orientada por nutricionistas especializados e não devem ser estendidos para a população de uma forma geral.

  • Quais as principais consequências por não fazer exercícios físicos?

    Nos últimos anos, vem sendo publicado de forma contínua, estudos que demonstram que a inatividade física é um importante preditor de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, obesidade, alguns tipos de câncer (câncer de intestino e de mama), fraqueza músculo-esquelética, depressão, menor qualidade de vida e maior mortalidade por causas cardiovasculares e por todas as causas. Quando comparamos uma população sedentária com outra um pouco mais ativa, que se exercita mesmo em níveis menores que os recomendados (cerca de 90 minutos por semana), os mais ativos chegam a viver 3 anos a mais.

  • Quais os cuidados se deve tomar para começar a fazer exercícios físicos?

    É importante determinar algum tipo de limitação de ordem médica, principalmente de origem cardiovascular e ortopédica, que possam colocar em risco a pessoa que decide se exercitar de forma regular. Sendo assim, uma avaliação que chamamos de pré-participação, deve ser realizada visando identificar problemas muitas vezes ocultos, como a hipertensão arterial (pressão alta), arritmias cardíacas, obstrução ao fluxo nas artérias coronárias (risco de infarto), diabetes, assim como problemas ortopédicos que possam comprometer a progressão do treinamento, tais como forma de pisada que necessitem de correção e erros na execução do gesto esportivo.

  • No caso de quem nunca fez atividade física ou está parado há mais de dois anos, como este deve proceder para não comprometer a saúde?

    Pessoas que estão muito inativas, sedentárias, devem iniciar os treinamentos após uma avaliação médica de um profissional com experiência na área da Medicina do Exercício e do Esporte. Hoje sabemos que o exercício físico mal orientado pode comprometer a sua manutenção, levando a lesões osteomusculares precoces e a um maior risco de eventos cardiovasculares. Sendo assim, todo recomeço, após um longo período de inatividade, deve ser feito de maneira gradativa, sempre respeitando os limites do corpo.

  • Quais são os exercícios considerados mais importantes pela medicina? Natação, futebol, caminhada, corrida, vôlei?

    Objetivamente não existe um esporte superior aos demais. Recomenda-se que a modalidade escolhida envolva grandes grupos musculares e atividades que chamamos de aeróbica ou de resistência, assim como aquelas que denominadas de anaeróbicas e que demandam o uso de força (musculação ou resistido). Exercícios de sobrecarga (exercícios com sustentação do peso corporal e de resistidos/musculação) são recomendados para preservar a saúde óssea e o vigor muscular. Exercícios aeróbicos são responsáveis pelo maior gasto de calorias e ganhos mais evidentes nos parâmetros cardiovasculares como: maior capacidade de fazer exercícios (resistência) e maior ganho nos parâmetros cardiovasculares e metabólicos (melhor controle da pressão arterial, maior perda de peso, diminuição nos níveis de colesterol e glicose no sangue).

    Devemos sempre levar em conta a preferência da pessoa por determinada modalidade esportiva, ajudando e orientando o praticante a definir o tipo de exercício que melhor se adapte à sua aptidão, habilidades, capacidade física e seu estado de saúde.

  • Deve se praticar exercícios físicos todos os dias ou pode ser, por exemplo, duas, três, quatro ou cinco vezes por semana?

    Homens e mulheres de todas as idades, de qualquer grupo sócio-econômico ou étnico devem se exercitar pelo menos 150 minutos por semana, com uma atividade aeróbica de moderada intensidade, como uma caminhada rápida, por exemplo. Além disso, exercícios de fortalecimento muscular, assim como aqueles que melhorem a flexibilidade, também são recomendados.

    Perfazendo esses 150 minutos, recomendam-se 30 minutos de exercícios, 5 dias/semana, com intensidade moderada, combinados com exercícios de musculação e flexibilidade. Outra opção envolve a recomendação de exercícios de maior intensidade (vigorosos), 3 dias/semana, combinados com exercícios de musculação e flexibilidade. Deve-se ficar claro que do ponto de vista de promoção de saúde, mesmo exercícios de baixa intensidade (leves) são capazes de gerar um grande impacto em aspectos relacionados à saúde pública, como melhor controle da pressão arterial, menor níveis de colesterol e glicose, por exemplo. Entretanto, devemos sempre fazer uma distinção entre pessoas que estão fisicamente ativas, daquelas que estão bem condicionadas e, portanto, com uma capacidade de execução de exercícios maior.

    Pessoas bem condicionadas necessitam de treinos mais longos e mais intensos para obterem essa condição física. É o que chamamos da relação dose-resposta ao exercício físico. Com base nesse conceito, um dado significativo, é que risco relativo de morte reduz em pessoas fisicamente ativas, mas pode reduzir ainda mais em pessoas com ótimo condicionamento físico. Nesse ponto, vale uma importante colocação. Quem deseja participar de provas de corrida de 10km, 25km ou maratonas ou outros esportes competitivos devem se exercitar de forma diferenciada, com esse objetivo específico, muito diferente daquelas pessoas sedentárias que querem se tornar primeiramente fisicamente ativas, para só depois pensarem em melhorar o condicionamento físico a ponto de disputarem provas que requeiram melhor condicionamento. Seja qual for o objetivo a ser traçado, o sedentarismo sempre é a pior escolha.

  • Uma pessoa na faixa dos 50 anos que quer começar a praticar algum tipo de exercício, qual o mais indicado e como esta deve proceder? Ela tem de correr devagar, não?

    Existem evidências médicas que recomendam o teste de esforço (teste ergométrico) para pessoas mesmo consideradas saudáveis (homens com mais de 40 anos e mulheres com mais de 50 anos) e que não tenham história familiar positiva para doenças cardiovasculares (exemplo: doença arterial coronariana: casos de infarto na família, angioplastia, morte súbita). Entretanto, cada caso deve ser avaliado individualmente, já que podemos solicitar esse exame, conforme o motivo, independente da idade do paciente.

    Além disso, quando se pensa em prescrever exercícios físicos de maneira orientada, o teste de esforço, além de verificar o surgimento de arritmias cardíacas, picos hipertensivos e estratificar o risco de uma pessoa ter um infarto, servirá como referência na determinação da intensidade do exercício a ser prescrita. Quando bem executado, pode fazer com que o paciente alcance sua frequência cardíaca máxima diante de um esforço, ajudando o profissional de educação física a estabelecer os limites de frequência cardíaca relacionados à intensidade determinada como: leve, moderada ou vigorosa. Ou seja, mesmo que o risco de uma determinada pessoa em ter problemas cardíacos seja baixo, o teste de esforço poderá ser útil não para encontrar um possível problema cardíaco no paciente, mas definir melhor como ele deverá começar a se exercitar de forma segura e eficiente.

  • No caso de pessoas idosas, quais são os exercícios mais indicados pela medicina?

    Além dos exercícios aeróbicos, exercícios que aprimoram a aptidão neuromuscular, como o equilíbrio e a agilidade, também devem ser recomendados para a população idosa. Deve-se também privilegiar exercícios de força (musculação), evidentemente respeitando os limites individuais inerentes ao envelhecimento, mas que permitam um aumento da capacidade na execução de exercícios muito comuns na vida diária, tais como: carregar sacolas em compras, trabalhos domésticos e atividades laborativas.

  • Pessoas com algum tipo de doença, como diabetes, epilepsia, artroses e bronquite asmática, entre outras, também devem praticar exercícios?

    De uma forma geral, todas as pessoas podem e devem se exercitar, inclusive aquelas com problemas de saúde estabelecidos. Já estão amplamente comprovados os benefícios do exercício físico em pessoas com diabetes, hipertensão arterial e problemas pulmonares.

    O que não podemos esquecer é que em todas essas condições especiais, o exercício físico deve ser prescrito por profissionais com experiência no exercício e do esporte, já que determinados cuidados devem ser tomados e diferem conforme a condição de saúde da pessoa. Pacientes que tiveram infarto, hipertensos, diabéticos, asmáticos e aqueles com doenças neurológicas se beneficiarão dos exercícios físicos, mas necessitarão de orientações específicas para executarem os exercícios de forma a minimizar os riscos e potencializar os benefícios.

  • Antes de se começar a praticar alguma atividade física é muito importante consultar um médico?

    Normalmente, o cardiologista é o profissional médico mais procurado pelas pessoas que pretendem iniciar exercícios físicos de forma regular e orientada. É importante que esse profissional médico tenha experiência na área da medicina do Exercício e do Esporte, já que atualmente muitas pessoas buscam esportes das mais variadas modalidades e desejam se exercitar em níveis quase tão intensos como aqueles praticados por atletas profissionais. Além do cardiologista, cabe ressaltar que médicos especialistas em Medicina do Exercício e do Esporte são aqueles que lidam mais diretamente com as demandas envolvidas tanto no esporte competitivo profissional como no amador, podendo dar valiosas informações tanto na avaliação pré-participação, na prevenção de lesões e na progressão do treinamento físico.

    A história clínica e um rigoroso exame físico devem fazer parte da avaliação pré-participação. O eletrocardiograma (ECG) também deve ser solicitado na avaliação médica inicial. Em situações específicas, devemos recorrer ao teste de esforço (teste ergométrico) para complementar essa avaliação. Outro exame que poderá ser realizado é o ecocardiograma, com o objetivo de avaliar o coração do ponto de vista anatômico e funcional.

  • Pelo visto a prática de exercícios físico é importante em qualquer idade, não?

    Sim. Exercícios físicos devem ser incentivados desde a infância, sempre respeitando os limites de cada faixa etária. Não se deve estimular uma especialização precoce em determinada modalidade esportiva antes que se atinja uma maturidade no desenvolvimento motor, na coordenação, no equilíbrio e na força muscular.

    Sendo assim, crianças bem jovens devem ser estimuladas a se exercitarem de maneira menos competitiva e mais lúdica, com atividades em grupo e brincadeiras. Só mais tarde, exercícios físicos dentro de uma modalidade esportiva específica devem ofertados.
    Exercícios físicos quando bem orientados podem ser praticados durante toda a vida, independente da idade, sempre respeitando os limites do corpo, as condições clínicas individuais e a aptidão física.

Nutrição

  • Em linhas gerais, quais são as regras básicas para manter uma dieta saudável e favorável ao emagrecimento?

    Em linhas gerais, precisa-se mudar o comportamento! Não devemos encarar mudanças na alimentação como “dieta”, propriamente dita. O ideal é comer alimentos saudáveis dando preferência aos alimentos naturais em relação aos industrializados. Além desta escolha a quantidade também deve ser moderada, lembrando que o excesso de alimentos saudáveis poderá levar a um ganho de peso.

  • Além da quantidade e qualidade do alimento, o horário das refeições interfere diretamente na dieta. Qual é a maneira mais adequada de administrar esses horários para auxiliar no emagrecimento?

    Os horários das refeições devem ser respeitados para criarmos disciplina. Manter intervalos regulares, aproximadamente a cada 3 horas, é fundamental para evitar a sensação de fome. Dessa maneira iremos evitar comer excessos em algum momento do dia, principalmente à noite.

  • Em meio à rotina agitada, cheia de tarefas e com pouco espaço para realizar as refeições, como cultivar uma alimentação saudável?

    Com a correria do dia a dia, a possibilidade de fazer lanches saudáveis é uma tarefa difícil. Como na “rua” essas opções são escassas, o ideal é garantir alimentos nutritivos e de preferência naturais, nos lanches em casa, como pela manhã e à noite. Nos lanches intermediários da manhã e da tarde é bom consumir alimentos como frutas e barras de cereais, que são fáceis de guardar. Existem várias opções, mas como regra geral, os produtos integrais e que não precisem de refrigeração, são os mais interessantes.

  • Para quem não consegue ficar longe de um doce, qual é a melhor maneira de administrar essa necessidade? Há algum horário melhor/pior para ingeri-lo?

    Várias pessoas gostam de consumir algum tipo de doce ou torta. O ideal é dar preferência aos chocolates como o maior teor de cacau ou amargo. Existem no mercado opões com pouca gordura, ausência de açúcar e com inclusão de fibras e colágeno, basta procurá-los em lojas de produtos naturais. Independente do tipo, devemos encorajá-las a comer o mínimo na quantidade e na frequência, como por exemplo, 2 a 3x semana.

  • Existe uma lista básica de alimentos prós e contras ao emagrecimento? Se sim, cite-os.

    Existe uma relação de alimentos que devemos consumir com frequência e outros que devemos comer esporadicamente.

    Alimentos prós:
    Pão integral, leite desnatado, azeite extra-virgem, fruta, castanha, suco natural, frango ou peixe, queijo magro, vegetais folhosos e legumes, tempero natural (ervas).

    Alimentos contra:
    Pão francês, Leite integral, suco industrializado com açúcar, chocolate, doce, torta, manteiga, biscoito, salgados em geral, tempero industrializado, sal, pipoca, refrigerante, carne vermelha.

PSICOLOGIA

  • O que é Psicologia?

    No final do século XX, a Psicologia passou a ser reconhecida não só como uma ciência mas como uma prática interventiva. Ela pode ser definida pelo estudo do comportamento e todos os processos mentais envolvidos na busca da compreensão e intervenção nos processos psicológicos que estão na base da saúde física e psicológica, abrangendo diferentes aspectos da experiência humana.

  • Quais as principais diferenças entre psicólogo e psiquiatra?

    O psiquiatra frequentou o curso de medicina e se especializou em medicina. O psiquiatra é um médico. Sendo assim, esse profissional tem por objetivo tratar as doenças mentais que possuem causas orgânicas (endógenas) e na maioria dos casos o tratamento é feito por terapia medicamentosa, ou seja, através da prescrição de remédios. Caso realizem formação complementar, podem realizar intervenções psicoterapêuticas.

    O psicólogo é um profissional que frequentou o curso superior de Psicologia, recebeu influências de vertentes teóricas como filosofia, medicina, ciências sociais, permitindo assim uma atuação mais ampla que a psiquiatria, incluindo empresas, equipes esportivas, comunidades, clínicas, hospitais, escolas, consultórios, etc.

    O tratamento passa pela psicoterapia, aconselhamento psicológico e outras técnicas que levam a promoção do desenvolvimento do indivíduo, focando-se nos processos mentais, emocionais e fisiológicos do comportamento humano. Por não ser um médico, não pode receitar medicamentos, contudo, caso seja necessário o uso, trabalha em conjunto com um psiquiatra.

  • Quando procurar psicoterapia?

    A psicoterapia é uma possibilidade de ajudar a pessoa a encontrar-se, a desenvolver seu autoconhecimento, a desenvolver habilidades e promover mudanças, portanto nem sempre se refere a tratamento de problemas psicológicos.

    Realmente, existem situações com as quais o indivíduo não consegue lidar sozinho, seja porque surgem problemas mais sérios ou mesmo porque já findou o arsenal de recursos próprios. Dor emocional, tensão prolongada, problemas que ameaçam a saúde física e mental e interferem negativamente no cotidiano. Como por exemplo: depressão, ansiedade, estresse, anorexia, bulimia, doenças psicossomáticas; Timidez excessiva, insegurança, dificuldades de comunicação, falta de assertividade, medo de falar em público; Desenvolvimento e crescimento pessoal; Problemas escolares e de aprendizagem; Problemas no relacionamento conjugal, familiar, no trabalho; Perda e luto, seja por morte ou separação; Problemas sexuais; Trauma, violência ou abuso; Dependência de álcool e drogas; Problemas de saúde física, doenças crônicas, intervenções cirúrgicas; Problemas no trabalho; Orientação vocacional ou na carreira profissional.

  • Quando se recebe alta da terapia?

    O atendimento psicológico não é um modelo que estabeleça de maneira rígida começo, meio e fim. O término dependerá de cada indivíduo, do que está sendo avaliado, trabalhado e dos objetivos buscados na psicoterapia e deve ser avaliado conjuntamente entre cliente e psicólogo. O processo de autoconhecimento não se esgota nunca, mas o indivíduo com o tempo poderá fazer isso sozinho, e esse é o principal objetivo da psicoterapia, fazer dos indivíduos seus “próprios terapeutas”.