O que significa a Dor?

O que é a dor?

Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial dos tecidos corporais. É um sinal de alerta de que algo no organismo não está do jeito que deveria.

O que é o Clínico de Dor?

A Clínica de Dor é a área de atuação do médico especialista comprometido com o estudo e tratamento da dor. O anestesiologista Clínico da Dor, além de fazer o tratamento convencional com medicamentos e medidas não invasivas, está apto, também, à realização de bloqueios e outros procedimentos que, não raras vezes, são importante etapa do tratamento de condições dolorosas específicas.

Quais os tipos de dores?

A dor pode ser subdividida em dor aguda e dor crônica. A dor aguda é de inicio recente, na maioria das vezes relacionada a alguma lesão no organismo e que, quase sempre, se resolve quando a causa é solucionada. Exemplos: dor muscular por exercício intenso, dor do infarto, dor da fratura óssea, dor de garganta, dor da apendicite, dor da anemia falciforme, entre tantas outras.

A dor crônica é aquela com duração maior que três meses ou aquela dor que persiste, apesar da causa ter sido solucionada. Relaciona-se a uma cicatrização inadequada ou deficiente do organismo, não restaurando aquela lesão à sua integridade original. Uma pequena porcentagem de indivíduos desenvolve dor crônica. Exemplos de dores crônicas: dores de cabeça e enxaqueca, dor nas costas crônica (lombalgia, lombociatalgia, hérnia de disco), dor no pescoço, dores musculares crônicas, dores nas articulações, dor crônica pós-operatória, polineuropatias, neuropatia do diabético, dor do câncer, dor pós herpes-zoster, neuralgia do trigêmeo, entre outras.

Quando procurar o Clínico da Dor?

As dores agudas de intensidade leve a moderada geralmente levam os pacientes à automedicação. Quando a dor é aguda e de forte intensidade, esses pacientes costumam procurar o pronto-atendimento dos hospitais.

As dores crônicas, pelo seu caráter duradouro, levam os pacientes a procurar o médico clinico da Dor. O anestesiologista especialista em Dor tem vasto conhecimento das drogas analgésicas e dos tratamentos mais adequados para o tipo de dor que o paciente apresenta, além de estar habituado a realizar bloqueios e outros procedimentos específicos, quando necessários.

O especialista em Dor está apto a tratar qualquer tipo de dor, seja aguda ou crônica e pode, inclusive, prescrever um tratamento para dores agudas, de acordo com o paciente e suas queixas mais frequentes.

Quais os tipos de tratamento para dor?

Todo paciente deve ter uma avaliação individual e pormenorizada dos seus sintomas. O tratamento é focado no paciente e suas angústias e prescrito de acordo com o diagnóstico da dor do indivíduo.

O tratamento, em alguns casos, pode ser baseado apenas em orientações de adaptações de hábitos diários. Outras vezes, iniciamos medicamentos, que podem ser de várias classes com ação analgésica (analgésicos, antinflamatórios, anticonvulsivantes, antidepressivos, relaxantes musculares, entre outros), de acordo com os sintomas do indivíduo. O tipo de medicamento e as doses são adaptáveis de acordo com as características da dor, do paciente, da avaliação do especialista em Dor e da avaliação da resposta. Um medicamento que é eficaz para um indivíduo pode não ser para outro, mesmo com o mesmo diagnóstico. O mesmo vale para a dosagem.

Em alguns casos específicos, as medicações não são suficientes para o controle adequado da dor. Em outras, o paciente tem contra-indicação ao tratamento de primeira linha ou necessita de alívio imediato para reabilitação, por exemplo. Nestes e em outros casos específicos, lançamos mão dos procedimentos, como os bloqueios de nervos periféricos, bloqueio peridural analgésico, bloqueio de gânglio estrelado, bloqueio simpático venoso, entre tantos outros disponíveis.

Em um seleto e restrito grupo de pacientes, nos quais as medicações e os procedimentos/bloqueios não foram eficazes, algumas procedimentos cirúrgicos, ou mesmo bloqueios mais complexos, realizados dentro do bloco cirúrgico, podem ser indicados para alívio dos quadros dolorosos.

Toda dor tem tratamento?

Muitas vezes nos deparamos com frases como “você deve aprender a conviver com essa dor” e que deixam o paciente muito angustiado e desesperançoso. Toda dor pode ser “domada” e diminuída a níveis aceitáveis que possam devolver ao paciente a qualidade de vida perdida. Muitas vezes, a dor é incapacitante e, apenas de torná-la suportável, o paciente já se sente muito confortável e satisfeito.

Para isso, a dor deve ser corretamente avaliada pelo especialista em Dor e o paciente seguir todo o tratamento prescrito adequadamente. Alguns reajustes de drogas e dosagens podem ser necessários até que atinjamos um grau satisfatório de controle do sintoma. Isso pode ser feito em alguns dias. Porém, em alguns casos, necessitamos meses para que consigamos atingir doses eficazes ou mesmo chegar a um medicamento com o qual o paciente se adapte melhor. Paciência e confiança são fundamentais na relação do paciente com o médico.

Dor e depressão, qual a relação?

Os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor estão intimamente relacionados com a percepção do humor e bem-estar do paciente. Quadros dolorosos, principalmente crônicos, podem provocar um desequilíbrio na neurotransmissão levando o paciente a um quadro de depressão, muitas vezes confundido como causa e não consequência do quadro doloroso. O tratamento adequado da dor pelo especialista pode solucionar o quadro de depressão e transtornos do humor do paciente. Todo tratamento é individualizado, assim como a escolha dos medicamentos e dosagens.

Por Dr. Carlos Trindade – Médico Anestesiologista e Clínico da Dor.