Mudança de hábito. Essa pequena grande atitude que transforma vidas

O ritmo de vida acelerado, preenchido com muitas atividades, a necessidade de mais horas dedicadas ao trabalho, muito tempo perdido no trânsito… Tudo isso faz parte da realidade vivida por nós, seres humanos do século XXI. Como já sabemos, esse estilo de vida agitado tem consequências. Uma delas é que a correria acaba por nos deixar sem o tempo necessário para construir uma relação saudável com nosso corpo. Mas como mudar isso e cuidar da própria saúde, mesmo em meio à correria?

Visão geral

No Brasil, a cada 2 pessoas, 1 está acima do peso. O dado assusta, mas é verdade. Em 2014, 52,5% dos brasileiros estavam acima do peso, segundo o Ministério da Saúde. Este índice era 43% em 2006. (Fonte: VIGITEL 2014)

E uma em cada três crianças, entre cinco e nove anos, está acima do peso (Fonte: Censo 2010 IBGE). Um alerta para pais e cuidadores, uma vez que alimentação inadequada e sedentarismo são os principais fatores que levam à obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas, juntamente com o fator genético.

Ironicamente, é nos dias de hoje, em que a informação sobre alimentação saudável e bons hábitos de vida são amplamente difundidas, que os seres humanos alcançaram os mais altos índices de obesidade, sedentarismo e outros problemas relacionados aos maus hábitos em geral. Por que será?

O motivo está no fato de que a mudança de hábito envolve mudança de comportamento. Atualmente, a maioria das pessoas tem acesso à informação e sabem o que devem comer, que é necessário fazer atividade física, buscar uma carga reduzida de trabalho, menos stress, mais momentos de relaxamento e lazer junto à família e amigos. O problema não é falta de informação, mas como aplicar isso na prática e organizar isso no cotidiano. Existem outras prioridades que se impõe ao dia a dia moderno e competem com a dedicação necessária para realizar a mudança de hábitos tão recomendada.

Obstáculos

Em busca de hábitos de vida saudáveis, nos deparamos com vários obstáculos. Por exemplo, em resposta ao ritmo de vida acelerado, a indústria alimentícia oferece um leque enorme de opções em fast food, comida industrializada nos supermercados (enlatados, congelados, pré-prontos…) e ainda os deliverys. São soluções muito práticas, mas tornam mais difícil a prática de uma alimentação saudável.

No tempo livre, como opção de lazer, a maioria das pessoas prefere atividades pouco dinâmicas, ligadas às novas tecnologias, como assistir televisão, internet e vídeo games, o que contribui ainda mais para o aumento dos índices de sedentarismo. Um diagnóstico divulgado pelo Ministério do Esporte sobre a prática de atividades físicas no Brasil revela que 45,9% dos brasileiros são sedentários (Fonte: Ministerio do Esporte – 2015). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para não ser sedentário, a pessoa precisaria fazer alguma atividade física de três a cinco vezes por semana, por pelo menos 30 minutos.

Pelos motivos certos

Quando falamos em mudanças de hábitos, gosto de alertar para o crescimento da oferta e do consumo de suplementos e medicamentos, um exemplo da busca por resultados rápidos e mágicos. Eles podem ser úteis em alguns casos, mas seu uso indiscriminado, com preocupação exclusivamente estética, pode colocar a saúde em segundo plano.

Mudança de paradigma

Há alguns anos atrás, os tratamentos para emagrecimento e outros problemas crônicos eram, basicamente, com medicamentosos. Isso mudou e a cada dia mais os médicos entendem que a mudança de hábito é a grande ferramenta para melhora na saúde, bem estar e, consequentemente, na estética. Nesse aspecto, é importante também reconhecer o papel que os meios de comunicação vêm assumindo, ao disseminar diariamente um grande volume de informações sobre qualidade de vida, o que contribui para fortalecer a mensagem.

Mas a despeito da transformação realizada nos paradigmas da medicina e divulgada pela grande mídia, mudar hábitos ainda é um grande desafio para qualquer pessoa. Há aqueles que ouvem todos os dias dos familiares e amigos: “Você precisa mudar!” e nada fazem. Tem acesso à formação universitária, aos melhores médicos, e mesmo assim têm dificuldades em tomar consciência, em ter o tal “clique” que precisam para iniciar o processo.

Autoconhecimento e Consciência

A mudança efetiva só acontece quando a pessoa toma consciência de sua situação e decide mudar. É um processo interno, profundo e muitas vezes, longo, até que a transformação aconteça por completo. Para mudar hábitos arraigados, muitas vezes é preciso recorrer ao suporte psicológico, pois uma relação desequilibrada com a própria alimentação é a principal causa do sobrepeso, obesidade, anorexia, ou bulimia.

Mas nada é impossível. Para ilustrar um caso bem grave e preocupante com um “final feliz”, lembro-me de um cliente que chegou com um quadro crítico de sedentarismo, muita carga de trabalho e o terrível hábito de fazer apenas duas refeições por dia. Estava acima do peso, claro, mas não entendia o motivo. “Afinal, comia tão pouco!”. Oferecemos a ele orientações sobre mudanças simples e graduais em sua rotina, que pudessem favorecer o reestabelecimento de hábitos saudáveis para toda a vida. Começamos acrescentando duas refeições, até chegar no total das seis refeições, número recomendado. Em alguns meses, o cliente conseguiu emagrecer e voltou a ter uma vida mais equilibrada, que ele mantém até hoje. Mas isso só foi possível com a dedicação e a disciplina do próprio paciente!

E você? Quando você vai começar a sua transformação?

Autor / Fonte:Magno Luiz – Nutricionista Esportivo e Educador Físico