Lesões Esportivas Traumáticas. Quais são elas?

Os motivos dos pacientes (esportistas ou não) procurarem o ortopedista para uma consulta podem ser divididos em basicamente três:
-Tirar dúvidas e prevenir lesões.
-Diagnosticar e tratar lesões de aparecimento espontâneo ou progressivo.
-Após uma lesão traumática, isto é, depois de um acidente qualquer.

Hoje é dia de falarmos deste último motivo.

Quando respondo que sou ortopedista numa roda de conversa, as pessoas tendem a pensar imediatamente em tratamento de gente com perna quebrada vindas de graves acidentes automobilísticos, entre outras coisas graves do tipo. Isso é até uma prática frequente da vida de um ortopedista que trabalha em pronto socorro. Mas, na verdade, compõe a menor parte do nosso serviço. Mesmo quando se fala de trauma, felizmente a grande maioria dos pacientes apresenta entorses e contusões leves.

E por falar em entorses e contusões, é importante definirmos e explicarmos bem alguns termos relacionados às lesões traumáticas, já que costumam ser erroneamente utilizados por leigos e até mesmo pelos colegas médicos:

– Contusão: apesar de a imprensa esportiva usar o termo para se referir a qualquer lesão esportiva, este termo se refere a um trauma fechado sem disrupção do tecido acometido. Portanto, quem leva um chute, toma uma canelada ou sofre um “tostão” sofreu uma CONTUSÃO. Costumam ser lesões leves e sem grandes sequelas. No entanto, como em tudo no mundo, existem exceções: quem se lembra da contusão na canela que afastou do gramado e tirou da Copa de 2010 o Elano?

– Entorse: uma articulação sofre entorse quando é submetida a um movimento do qual não seria fisiologicamente capaz de fazer. Para tal, obrigatoriamente deve existir alguma lesão de ligamentos ou da cápsula articular (fibra densa que veda e ajuda na estabilização da junta). Pacientes que sofreram entorses costumam se preocupar com o fato de ter havido lesão de ligamentos ou não. A resposta é sempre SIM. Mais importante que isso é saber se a lesão foi completa ou parcial, se o ligamento lesado tem bom potencial de cicatrização, se houve outras lesões associadas (de cartilagem, de menisco, fraturas…) e qual o tratamento preconizado para aquele caso específico.

– Luxação: também é um termo muito mal utilizado pela maioria da população, que o usa como sinônimo de “contusão leve”. Na verdade, luxações costumam ser lesões graves, como uma entorse ainda mais exagerada em que há perda de contato entre as superfícies de dois ossos que compõe determinada articulação. Exemplos comuns são a luxação de dedo e de ombro. Mas também não é infrequente tratarmos luxações de cotovelo, de tornozelo e de joelho trabalhando de plantão em pronto-socorro ou mesmo acompanhando um evento esportivo na beirada do campo. Talvez a melhor dica que eu posso passar aqui seja: nunca tente reduzir uma luxação se você não tem conhecimento para tal. Dou duas razões:
– Primeiro, o que parece ser uma luxação pode ser uma fratura. Você estaria causando mais dor ao paciente e podendo ainda provocar mais lesões ou dificultar o tratamento definitivo.
– Segundo, geralmente há uma técnica correta para reduzir luxações. Ao puxar um simples dedo luxado, por exemplo, existe grande chance de se causar interposição de tecidos levando a necessidade de tratamento cirúrgico em algo que poderia ter sido facilmente colocado de volta no lugar por um profissional mais capaz.

– Fraturas: esta sim todos sabem o que é. No entanto, alguns conceitos errados costumam cercar o termo:
– Sim, pode haver fratura sem deformidade visível.
– Alguns pacientes conseguem movimentar ou até apoiar no membro onde há fratura.
– O fato de o raio-x estar normal nem sempre é capaz de descartar o diagnóstico de fratura. Alguns ossos de anatomia complexa (como os pequenos ossos do punho e do pé), algumas fraturas incompletas e, especialmente, indivíduos em fase de crescimento podem necessitar um período de observação ou exames mais detalhados para se chegar ao diagnóstico correto.

– Escoriações, cortes e lacerações: tão frequentes e conhecidos do público geral, podem necessitar atendimento especializado dependendo da sua gravidade.

É papel do profissional de saúde que se envolve na área de trauma conhecer e tratar cada uma dessas lesões. No entanto, mesmo o leigo que presenciar uma lesão traumática já pode ser capaz de trazer bem estar ao paciente. Dificilmente você errará ao proteger, colocar gelo (por menos de 30 minutos, sempre!) e elevar o local lesionado. Não faça nada que você não saiba ou não se sinta capaz, e leve a pessoa ao profissional capacitado ou chame uma ambulância nos casos mais graves.

A Sportif possui ortopedista e médicos do esporte para atendimento e acompanhamento de tais problemas. Mas no caso de urgências e risco de vida, vá ao pronto-socorro de um hospital em que você confie. Podem também contar conosco para cobertura médica de eventos esportivos de qualquer porte.

E não custa lembrar de que é sempre melhor prevenir do que remediar. Portanto, utilize os equipamentos de segurança, obedeça as regras e pratique o fair-play em seu esporte.

Abraços e boas atividades.
Dr. Lucas Boechat, médico especializado em Ortopedia e Traumatologia Esportiva.