Ergoespirometria. Afinal, o que é?

A ergoespirometria é um método diagnóstico e prognóstico capaz de relacionar o desempenho frente ao exercício a variáveis fisiológicas. Desta forma, esse exame nos fornece descritores altamente confiáveis da capacidade de exercício do paciente ou atleta que está sendo avaliado.

É também chamado de Teste Cardiopulmonar de Exercício, pois realiza uma avaliação integrada das respostas cardiovasculares, respiratórias e metabólicas. Para isso, além de monitorar o eletrocardiograma durante o esforço, é necessário utilizar uma máscara e um equipamento apropriado, o que permite analisar cada respiração efetuada durante o protocolo de exercício.

Na Sportif, este teste pode ser realizado em esteira ergométrica ou utilizando a bicicleta do próprio atleta/esportista em um ciclossimulador (rolo para bicicleta computadorizado). Em ambos os casos, é realizado um protocolo de exercício incremental até o esforço máximo. Em outras palavras, você realizará um tiro progressivo, iniciando em intensidade baixa e com aumento de carga gradual até atingir o limite (ou bem próximo) da sua tolerância máxima de carga. O teste pode ser interrompido antes disso, caso o médico perceba alguma alteração importante.

Quais são os principais parâmetros fornecidos pela Ergoespirometria?

Destacaria as seguintes variáveis: o consumo máximo de oxigênio (VO2max), os limiares ventilatórios, o gasto calórico durante os diferentes níveis de exercício, a avaliação da eficiência ventilatória e as variáveis hemodinâmicas para avaliação de isquemia miocárdica e risco de infarto.

· Consumo máximo de oxigênio (VO2max): Na fase final do exame, é comum chegar ao ponto em que apesar da carga continuar aumentando, suas células já não são mais capazes de aumentar a queima de oxigênio. Este fato é a base conceitual do VO2max. Na prática, este índice reflete a máxima capacidade de gerar energia, por unidade de tempo, através da via aeróbia. É, portanto, um indicador da potência aeróbia do indivíduo. Apesar de existirem outras variáveis melhores para a predição de performance no esporte, este é também um dos parâmetros a serem considerados. Em relação à avaliação do estado de saúde, é um forte preditor de mortalidade, estando bastante diminuído em portadores de diversas doenças. Após os 30 anos de idade, a tendência é uma queda progressiva do VO2max, mas praticar exercícios regularmente pode atenuar a velocidade dessa queda e proporcionar maior tempo de vida com um bom grau de independência e maior resistência a doenças do que as pessoas que possuem menor potência aeróbia.

· Limiares ventilatórios: Através da análise do comportamento da ventilação, consumo de oxigênio e produção de gás carbônico pelo corpo, identificamos dois pontos principais de transição metabólica, o limiar ventilatório 1 (LV1) e o limiar ventilatório 2 (LV2). Estes pontos, em conjunto com o ponto de alcance do VO2max, podem ser utilizados para delimitar “zonas de treinamento”, sendo utilizadas de diferentes maneiras no dia-a-dia. Além disso, podemos obter boa predição de desempenho e de saúde. Quanto maior a carga necessária para alcançar estes pontos, melhor, pois seria um sinal de que o seu corpo está bem adaptado a maiores intensidades. Já as pessoas com doenças crônicas e aquelas com menor condicionamento físico, geralmente apresentam os limiares precocemente, quando comparados com os valores inicialmente previstos.

· Gasto Calórico: Os analisadores de gases utilizados para executar a ergoespirometria possuem a funcionalidade de realizar o cálculo do dispêndio energético utilizando o método de calorimetria indireta. Dessa maneira, é possível obter de maneira individualizada e real os valores em quilocalorias (kcal) gastos quando você realiza o exercício em cada uma das diferentes intensidades durante o teste. Este dado pode ser bastante útil para planejar intervenções visando a perda de peso com auxílio de um programa de exercícios ou a estratégia nutricional durante uma determinada prova, por exemplo.

· Avaliação da Eficiência Ventilatória: Para respirar, também gastamos energia, direcionada principalmente para os músculos do tórax e abdome envolvidos na respiração. Qualquer alteração biomecânica dessa musculatura pode nos levar a gastar mais energia nesse processo e com isso nos tornarmos menos eficientes, já que deixaremos de direcionar boa quantidade de energia para os membros. Além disso, patologias que envolvam limitações ventilatórias, também podem aumentar esse custo energético da ventilação. A ergoespirometria é uma interessante ferramenta para avaliar dinamicamente a eficiência da nossa respiração.

· Avaliação de isquemia do coração (risco de infarto): Além da monitoração do eletrocardiograma que é utilizada no teste ergométrico convencional, a ergoespirometria ainda possui outras variáveis hemodinâmicas e mecânicas que são capazes de melhorar a capacidade diagnóstica de isquemia do coração e outras patologias que possam estar prejudicando a função deste órgão. Para os pacientes que sabidamente possuem doença arterial coronariana, este exame é excelente para a melhor determinação do limiar de isquemia, ou seja, a intensidade de exercício a partir da qual o coração começa a sofrer com a falta de oxigenação. A determinação deste ponto é fundamental para a prescrição de exercícios com segurança a esses pacientes.

Então a ergoespirometria é superior ao teste ergométrico convencional?

Sim, sem dúvidas. O teste ergométrico fornece um menor número de dados e muitos deles apenas estimados. A ergoespirometria é um exame mais completo, porém com a desvantagem de ser mais caro. Abaixo algumas vantagens da ergoespirometria frente ao teste ergométrico.

Espero ter ajudado você a conhecer um pouco mais sobre as vantagens da ergoespirometria. Dúvidas? Deixe sua pergunta para a gente ou entre em contato comigo por e-mail: joao@clinicasportif.com.br. Um abraço!

Por Dr. João Antonio da Silva Junior, Médico do Esporte.