Dor Neuropática

Principais síndromes dolorosas neuropáticas:

Nervos são estruturas anatômicas responsáveis por levar e trazer informações de todas as partes do corpo para o cérebro. A dor neuropática é causada ou iniciada por lesão ou disfunção desse sistema nervoso. Pode ser periférica, quando a lesão ocorre no trajeto dos nervos, ou pode ser de origem central, por lesão da medula ou do encéfalo, estrutura da qual o cérebro faz parte. A dor do tipo neuropática tem características peculiares (queimação, formigamento intenso, dentre outros), geralmente de forte intensidade e de difícil controle. Responde mal a analgésicos e antinflamatórios comuns, o que faz com que utilizemos outras classes de medicações, incluindo bloqueios nervosos. O reconhecimento precoce e tratamento espeDorcífico impedem o desenvolvimento de dor crônica.

A dor no paciente diabético:

O diabetes é a causa mais comum de lesão neurológica periférica. Pode acometer vários nervos, dos dois lados do corpo. A lesão pode predominar nos nervos sensitivos, nos nervos motores ou pode ser mista, tanto sensitiva quanto motora. Geralmente ocorre após anos de controle inadequado da diabetes. Um quadro típico é o adormecimento e formigamento dos pés, que progridem em direção proximal, seguidos de DOR. A dor é de intensidade variável e pode piorar à noite, prejudicando o sono e a qualidade de vida do paciente. O controle adequado da glicemia e o tratamento com medicação específica pode atenuar a dor e retardar a progressão da doença.

Neuralgia pós-herpética:

O herpes-zóster é a reativação da infecção por varicela (catapora) ocorrida previamente. Mais comum em pacientes com alteração da imunidade, podendo ocorrer também em pacientes sem alteração da imunidade. A neuralgia pós-herpética é a complicação mais frequente do herpes-zoster e é caracterizada por DOR intensa na região do nervo afetado e alterações exacerbadas da sensibilidade, que persiste apesar do tratamento adequado para a infecção. A região mais comumente afetada é a torácica (50%), seguida pela região do pescoço. Quanto maior a idade, maior a probabilidade de persistência da dor. Os sintomas dolorosos, se não tratados adequadamente, podem persistir por anos. O tratamento com analgésicos e antinflamatórios é, grande parte das vezes, ineficaz.

Neuralgia do trigêmeo:

Neuralgia do trigêmeo é a DOR que restringe-se à distribuição desse nervo que encontra-se na face, geralmente unilateral e ocorre, predominantemente, entre os 50 e 70 anos de idade. É caracterizada por dor em choque, paroxística, intensa, de início súbito e término abrupto, com duração de alguns segundos. Pode haver remissão espontânea durante meses ou anos, com reativação após esse tempo. Existem zonas-gatilho, principalmente na região perioral e nasal que, ao serem ativadas (falar, comer, escovar dentes) precipitam as crises. O tratamento é baseado no uso de anticonvulsivantes.

Dor fantasma:

Dor fantasma é a que acomete área do corpo que foi amputada, embora seja mais comum em amputação de membro. Ocorre em 65 a 80% dos pacientes que sofreram amputação de membro, podendo tomar outras partes do corpo como, o após cirurgia de retirada da mama ou uma simples extração de dente. A característica da dor é variável e a intensidade difere entre os pacientes. Como as outras dores neuropáticas, não responde bem a analgésicos e antinflamatórios comuns.

Síndrome dolorosa regional complexa (SDRC):

É caracterizada por DOR que ocorre geralmente após acidente, acometendo principalmente os membros superiores e inferiores. A dor e a disfunção são desproporcionais à gravidade ou duração do evento desencadeador. As manifestações englobam três componentes maiores que são: alteração da sensibilidade, anormalidades vasculares e alterações motoras. A dor é profunda, geralmente espontânea e agravada com o frio e o movimento. Pode acompanhar inchaço, alteração da cor da pele, sudorese e diferença de temperatura entre as extremidades.

Por Dr. Carlos Trindade, nosso Clínico da Dor.