A atividade física na terceira idade

O envelhecimento bem sucedido é aquele no qual o indivíduo preserva a capacidade de realizar suas funções. Tal habilidade é influenciada especialmente pelo empenho adequado dos sistemas musculoesquelético e cardiovascular.

Por esse motivo, que em consulta explico para o paciente que a atividade física é a “previdência ou poupança” da saúde, visto que, a prática de exercícios melhora o coração e garante músculos e ossos saudáveis para chegarmos na terceira idade sem limitações, e principalmente sem dores. Seria o bem cuidar da saúde o mais precoce possível, para num futuro poder desfrutar de autonomia e sem doenças.

Entretanto, para uma correta prescrição de exercício ao idoso, não basta oferecer o mesmo exercício do adulto jovem em intensidade menor, é necessário conhecer as alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, afim de orientar um programa adequado.

Curiosamente, a estatura começa a diminuir 1 cm por década, devido a perda da curvatura dos pés, aumento das curvas da coluna e alterações nos discos vertebrais. Aumento do tecido gorduroso, além de grande perda de massa muscular. Ocorre atrofia muscular a partir dos 30 anos de idade, o músculo passa a ser substituído por gordura, com aumento de colágeno. As artérias perdem a elasticidade gerando por vezes hipertensão arterial por esse motivo.

O coração do idoso, apresenta aumento com espessamento do lado esquerdo dele. Esse fato ocorre por fibrose, fazendo com que o coração fique “duro” e acomode menos sangue nele, prejudicando a diástole e o bombeamento para o resto do corpo. Assim como alterações mecânicas no coração, ocorrem alterações elétricas.

O aumento de tecido conjuntivo, promovem arritmias, dentre elas bradicardias sintomáticas e fibrilação atrial. O exercício aeróbico consegue melhorar o desempenho cardiovascular, de forma que as alterações próprias da idade, não produzam impacto na execução do próprio exercício e das alterações diárias.
O treinamento resistido, tais como, musculação, pilates, hidroginástica, evita a perda óssea e muscular, evita osteopenia, diminuem risco de quedas, portanto de fraturas.

Interessante ressaltar também a interferência das medicações na prática da atividade física. Faz-se necessária uma avaliação rigorosa do uso de determinados remédios que poderiam gerar prejuízo ou devem ser ajustados mediante determinado exercício. Exercícios aeróbicos devem ser realizados de 3 a 5 vezes por semana, alternado com exercícios de força. Lembrando que existem uma infinidade de opções e que se faz necessária a individualização da prescrição. A duração deve ser entre 30 a 60 minutos, que pode ser fracionada em sessões de 5 minutos, dependendo da condição física.

Notamos então a importância de construirmos nossa “previdência” da saúde, através da prática da atividade física, e parabéns aos pacientes na terceira idade, que conseguem manter a rotina do exercício, afim de desfrutarem da boa saúde e do bem viver!

Dra. Amanda Pereira – Cardiologista e Médica do Esporte